terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NIZAN GUANAES: Não é o Dinheiro, Estúpido

"Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência"




SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CRÔNICA: SE ACASO - Veríssimo



A História teria sido diferente sem Hitler, ou com um Hitler no poder mas tratado por Freud?

Adolph Hitler quase foi se tratar com Sigmund Freud. Seus pais teriam sido aconselhados a levá-lo para uma consulta com o doutor, presumivelmente para curá-lo daquela compulsão de dominar o bairro. Não houve a consulta, Hitler cresceu sem tratamento e, quando a crítica sugeriu que ele trocasse a pintura pela sua segunda vocação, fosse ela qual fosse, lembrou-se da megalomania da infância e o resto é História.

A História teria sido diferente sem Hitler, ou com um Hitler no poder mas tratado por Freud? A ideia do nazismo como uma anomalia patológica, como coisa de loucos, é uma ficção conveniente que absolve boa parte do pensamento cristão europeu de direita da sua cumplicidade.

Mas a ideia de um determinismo neutro, independente de qualquer escolha moral, também é assustadora. Precisamos de vilões mais do que de heróis, de culpados muito mais do que de inocentes. Nem que seja só para preservar o autorrespeito da espécie.

Karl Kraus escreveu que a Viena do começo do século era o campo de provas da destruição do mundo. A derrocada do império austro-húngaro foi o fim de um certo mundo, mas Kraus quis dizer mais do que isso. Para ele, as revoluções do pensamento postas em movimento na Viena da sua época trariam o fim do longo dia do humanismo europeu que durara desde a Renascença, e o século restauraria a idade das trevas.

O encontro que não houve entre o intelectual judeu que radicalizou o estudo da consciência e o homem que quis eliminar as duas coisas, o judeu e a consciência, da História simboliza esse prenúncio, ou essa intuição de Kraus. O século 20 foi o do desencontro entre duas formas de modernidade, a que liberava o pensamento pela investigação científica e a que o aprisionava pelo mito do estado científico.

A questão é até onde coisas vagas, como o clima intelectual de uma cidade, ou clínicas, como a maluquice de alguém, influenciam a História, ou até que ponto uma boa terapia pediátrica teria evitado o Holocausto.

O materialismo histórico rejeita a ideia de sujeitos regendo a História, e marxistas ortodoxos reagem a qualquer sugestão de que as ideias justas venham de um discernimento moral inato. E como os liberais nos dizem que o mercado não é ético nem aético, é apenas inevitável, a História como um relato de mocinhos providenciais em guerra com bandidos doentes sobra para a literatura, ou essa categoria de ficção sentimental que é a história convencional.

Precisamos pensar não só que são iniciativas humanas que movem a História, e que seus objetivos, mesmo que tarde, sejam morais e justos, mas que elas tenham cara e biografia.
A História feita por indivíduos tem o atrativo adicional da conjetura, de infindáveis variações sobre o “se”. O que teria acontecido se Napoleão tivesse se contentado em ser instrutor de tiro ou se os pais de Stalin nunca tivessem se encontrado?
E podemos sonhar à vontade sobre o efeito na nossa vida pública se certas mães brasileiras pudessem ter optado, patrioticamente, por não ter os filhos que tiveram.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

REFLEXÃO: Por que cremos?

da profª Luciene Felix Lamy (http://www.lucienefelix.blogspot.com/)

“Oh! Virtude, ciência sublime das almas simples, serão necessários então, tanta pena e tanto aparato para conhecer-te? Teus princípios não estão gravados em todos os corações?" Jean-Jacques Rousseau.

Nessa época do ano realça-se o sentimento de religiosidade. Muitas pessoas, até involuntariamente, experimentam solene introspecção. A ocasião parece apropriada para refletirmos sobre o surgimento da religiosidade humana e seu desaguar no vasto campo das religiões.

Surpreende o fato de somente agora a religiosidade estar sendo apontada como um dos fatores que contribuíram para a evolução do homem na terra. Segundo o jornalista do The New York Times, Nicholas Wade: “A religião carrega as marcas de um comportamento evoluído, o que significa que existe porque foi favorecida pela seleção natural. É universal porque está impressa em nossos circuitos neurológicos desde antes de os primeiros humanos se dispersarem a partir da África”.

Se, como diz Nicholas, “(...) a religião evoluiu porque conferia benefícios essenciais às primeiras sociedades humanas e seus sucessores”, estamos diante de fato irrefutável, mas não paradoxal. Numa palestra intitulada “Origens da Religião e Pólis Grega” (disponível em vídeo no site da Escola Superior de Direito Constitucional: www.esdc.com.br), que proferi em 2007, explico como e porque o próprio Estado já nasce no seio da religiosidade humana.

O artigo do Times, começa afirmando que dois arqueólogos “fizeram uma descoberta notável sobre a origem da religião ao longo de 15 anos de escavações (...)”. Ora, os primeiros ensaios de uma comunidade gregária se deram em torno dos alimentos. As primevas organizações políticas, as mais primitivas comunidades surgem tendo como esteio essa voraz necessidade dos indivíduos de, juntos, enaltecerem a magia que os circundava e, desse modo, em sincronia se estreitarem à natureza que os provia.

Embora o “Pai” da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939) com propriedade, tenha apontado a religião como sendo uma espécie de delírio coletivo, a religiosidade “em si”, que floresceu em nossos antepassados não fora um mero e infundado “delírio coletivo”: a crença, em sua origem, foi fomentada por instinto de sobrevivência.

A abundante, diversificada e bem orquestrada “mãe-natureza” serviu de base a nosso primevo e rústico tecido social. O nascente e o poente, os ciclos de lunação, as estações do ano, o cortejo dos planetas por entre as constelações fixas, cachoeiras, rios, lagos e mares; trigo, milho, oliveira, cevada e todas as aves e os animais, além de reais, eram tudo o que tinham para inteligir a potência (dýnamis) da vida.

O homem primitivo, de racionalidade ainda rudimentar, encontra uma forma mítica para compreender e explicar aos demais a realidade que os circunda. O pequeno grupo ao qual pertence, se convence da lógica embutida nessas explicações.

Surge então um elo comunitário de compreensão dos fenômenos mais prosaicos, irrompidos periodicamente em seus habitats. Rituais que celebram a magia de inícios e fins (ciclos de vida e morte) são estabelecidos consensualmente.

É sabido que o comportamento religioso (qualquer que seja a forma de religação adotada) é identificado em todas as sociedades humanas, independente de qual seja o estágio de desenvolvimento em que se encontre. Digno de nota é o fato de que nesse estágio da religiosidade, o sujeito encontra, no meio no qual se insere, correspondência análoga às suas expectativas individuais.

A adesão aos ritos é espontânea e essa sacra consonância, essa fusão de valores criará um elo de fidelidade entre os membros, tornando o grupo forte e coeso. Unidos, amparando-nos mutuamente, sempre fomos mais fortes e detemos maiores oportunidades.

A religiosidade humana se impôs, inicialmente, por questão utilitária, sobretudo depois que o homem deixou de ser nômade, buscou abrigo fixo e, dependendo da agricultura (entenda-se estações do ano) sabiamente passou a ir ao encontro do tempo cíclico, em simbiose com a natureza.

Embora até hoje não tenhamos deixado de beneficiarmo-nos da caça (presente, ao menos duas vezes por dia, na mesa dos abastados), foi devido ao reconhecimento às misteriosas dádivas de Deméter (deusa grega da agricultura - Ceres em romano, daí a palavra cereal) que nossos ancestrais se aproximaram comungando e rejubilando-se num sentimento de pertença (confira breve relato desse mito celebrado nos “mistérios de Elêusis”, cerca de 800a.C. em "primavera", nesse Blog).

Mas não se intenta subjugar o acaso e seus inescrutáveis caprichos apenas manifestando gratidão . É fundamental evitar os “castigos” interpretados como zangas divinas. Deimos e Phobos (1) sempre foram meios de persuasão muitíssimo convincentes.

Por receio de que mazelas sucedam a todo o clã, expulsa-se transgressores das leis, os profanadores dos costumes sagrados; rituais de expiação zelam pela manutenção da ordem, da paz e das boas graças de uma “autoridade invisível”.

Arregimenta-se credulidade também sob coação, pelo sentir dilacerado da dor. Podia acometer-nos a morte, oriunda das guerras, da fome, de doenças, furacões, vulcões, raios, enchentes, maremotos, enfim, temíamos que pairasse sobre nossa família e/ou comunidade grandes males e infortúnios.

Nesse estágio da religiosidade humana, legitimar a autoridade do grupo levando-nos a colocar o bem-estar do clã acima de nossos interesses pessoais é atitude altruísta que mais nos humaniza; é o que nos tornou e nos tornará sempre mais “humanos”.

Alguns estudiosos tem levantado a hipótese de que, se com a teoria da evolução de Charles Darwin (1809-1882) compreendemos que sofremos alterações com o constante aprimoramento de nossas aptidões físicas, não é improvável que o mesmo tenha ocorrido em nossa psyché.

Nesse sentido, Nicholas Wade afirma: “O que a evolução fez foi dotar as pessoas de uma predisposição genética a aprender a religião da sua comunidade, assim como há uma predisposição para a linguagem. Tanto na religião quanto na linguagem, é a cultura, e não a genética, que fornece o conteúdo do que é aprendido”.

O fato da religiosidade poder ser observada sob uma perspectiva psiquicamente evolucional, como algo que tenha fomentado, alicerçado e impulsionando o desenvolvimento das sociedades humanas não desempata o duelo entre crentes e ateus pois, como aponta o próprio autor: “O favorecimento da religião pela seleção natural não comprova nem refuta a existência dos deuses”.

Nicholas chama a atenção para o fato já sabido de que em “sociedades hierárquicas maiores, os governantes cooptaram a religião como fonte de autoridade”, o que resvalará em atrocidades ou, no mínimo nos tais “delírios coletivos” apontados por Freud, algo que nem crentes nem ateus suportam mais testemunhar.

Se lastimavelmente, algumas religiões e seus ferrenhos seguidores acalentam preconceitos, promovem guerras e perseguições é porque se esqueçam de que seu longinquo e nobilíssimo berço é ser primeva fonte de amparo à fragilidade humana. Deturpam a religiosidade que surgiu, em nossos antepassados unindo os homens na imprescindível promoção do bem estar da coletividade, que “subjaz a” e “abarca a” função social.

A religiosidade primeva não escandaliza a razão. É de uma inteligibilidade intuitiva, dispensando provas ou argumentos, é puro instinto de sobrevivência “impressa em nossos circuitos neurológicos” como denominam os cientistas.

Vislumbraram a Alma (psyché), outrora tão magnânima em seu propósito de nos religar com a ordem (cosmos) presente na natureza (physis) da qual também fazemos parte. Espantados constatam: fomos feitos para crer.

1- Deimos e Phobos: terror e medo, filhos do deus grego da guerra, Ares, que na mitologia romana será denominado Marte. Esse é também o nome dos satélites naturais desse planeta.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

REFLEXÃO: Os Valores da Liberdade

do Eurosophia.com

«Não faças o que não gostares que te façam».
Pítaco de Mitilene

1. Os valores. Que significa valor? Quanto vale isto? Perguntamos. Quanto vale esta coisa, quanto custa? Estamos a falar de valor comercial. Mas também dizemos, fulano tem muito valor. Às vezes quereríamos dizer que ele tem muito mérito, porque tem merecimento ou aptidão. Ou então dizemos que é muito prestimoso, ou seja, que é uma pessoa prestável. Não raro dizemos a um amigo: este relógio raramente está certo, mas não me desfaria dele por nada deste mundo. Este relógio tem, para o seu possuidor, valor de estimação.

Existem qualidades que são desejáveis, como por exemplo, quando gostamos de algo, um objecto que pela sua beleza o escolhemos em detrimento de outros; ou quando achamos bela a pessoa amada. Estamos a falar de valores com outro sentido, o sentido do gosto, do belo. Por outro lado, todo o ser humano de bom senso, que não é egoísta, é capaz de reconhecer as boas acções, a verticalidade, a bondade dos outros. Falamos, neste caso, de uma pessoa de alto valor moral.

Como se verifica, a questão dos valores não é apenas um problema filosófico. Com efeito, surge para cada um de nós, com uma acuidade extrema, toda a vez que se torna necessário enfrentar uma situação dada. Cada pessoa adopta determinada atitude em face dos problemas políticos, sociais e ideológicos e, consequentemente, diante dos valores éticos, estéticos, religiosos, etc. Porquanto, cada indivíduo defronta-se, implicitamente, com o problema do sentido da vida e, de modo mais geral, com o problema dos valores. A realização de si, a necessidade para o indivíduo de se integrar na colectividade, as exigências do eu, o desejo de se realizar como personalidade visível, e às vezes até para dar nas vistas, são factos antropológicos e individuais a que o ser humano não escapa, embora se façam acentuar mais exageradamente em algumas personalidades complexadas, devido a problemas de ordem física ou psicológica. E assim, cada ser humano manifesta a sua liberdade ao realizar ou não os valores, e não ao dar-se a ilusão de impor os seus próprios valores aos outros e à sociedade. Aliás, os valores não se impõem por particulares.

2. As opões valorativas. A vida humana, a cada momento, é o resultado ou a soma de todas as possibilidades conseguidas: possibilidades de optar, de decidir, de fazer, etc. E à medida que vamos preferindo opções em detrimento de outras, valores em detrimento de outros, vamos também orientando a nossa vida segundo determinados parâmetros e, com isso, abandonando outras possibilidades, que nunca chegaremos a saber se seriam melhores ou piores, enquanto desta forma vamos limitando as possibilidades futuras.

O nosso campo de acção, à medida que a vida fluí, vai-se estreitando. A nossa liberdade actual está naturalmente condicionada pelo uso que fizemos da nossa liberdade passada, que por sua vez limita a liberdade futura. Um acto de liberdade presente é um compromisso com o futuro. A liberdade não é uma abstracção, é uma prática. É uma prática que se reflecte em toda a nossa vida. Desta feita, comprometido pelas suas opções passadas, pelas suas paixões e orientações de vida, pela sua educação e cultura, pelo modo como vê a vida e o mundo, mas também pela sua constituição física e psicológica, o homem está cada vez mais limitado na sua acção. E mais limitado está aquele que se julga para além dos outros, porque não compreendeu nada do outro nem da vida. Com efeito, o homem está limitado por várias condicionantes que, em conjunto, condicionam a sua situação. E como o homem está sempre em situação, e porque cada situação está limitada por um conjunto de condicionantes, já não posso alterar a minha situação actual, porque não posso alterar as situações que a antecederam. E, não raras vezes, nem o arrependimento nos pode dissolver a intranquilidade devida às opções incorrectas que tomámos. O que quer dizer que a minha vida hoje poderia ser outra se tivessem sido outras as opções, outras as vivências, outras as condicionantes, outras as situações.

3. Limites da liberdade. «O homem está condenado a ser livre», diz Sartre. De facto o homem é livre no seu querer e actuar, mas ele não é absolutamente livre sem limites nem restrições. Cada um vive numa situação única e concreta da sua existência, traz consigo como herança determinadas aptidões espirituais e corporais. Desde a infância está marcado pelo meio que o rodeia, pelas influências da educação, pelo ambiente espiritual, ético, religioso e ideológico em que cresce e se desenvolve; vive em determinadas circunstâncias nacionais, sociais, políticas e culturais que o marcam. Em todos estes casos está restringida a nossa liberdade: com a limitação da nossa existência finita e singular, do nosso conhecimento finito e sempre incompleto e da nossa vontade finita e reduzida a um estreito campo de acção. Tudo isto se conjuga para que a liberdade do homem só possa ser uma liberdade condicionada e limitada.

A autêntica liberdade, aquela que cada um vive, começa no momento em que somos capazes de entender que a minha liberdade pode e deve coexistir com a liberdade do outro. Convém não esquecer nunca que nós só somos porque existe o outro, os outros. Sem o outro o eu não existe, é um fantasma navegante, que ainda não é ser, mas está ignorantemente convencido que o é. A liberdade absoluta, do quero, posso e mando, só existe em espíritos míticos, na mente daqueles que se julgam seres superiores, cujo destino lhes terá sido traçado por um Deus maior!
Ora, a liberdade não é um objecto de que nos possamos apropriar de uma vez para sempre. A liberdade humana não é, de forma alguma, uma verdade eterna, nem uma posse intemporal, é pelo contrário uma verdade temporal, uma conquista sempre nova, que cada homem persegue sem nunca ter a certeza de ter atingido a sua plenitude. Quer isto dizer simplesmente que os actos dos homens de boa fé têm como último significado a procura da liberdade enquanto tal. E ao querermos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros, e que a liberdade dos outros depende da nossa. (António Pinela, Reflexões, Abril de 2002).

sábado, 29 de janeiro de 2011

ANIVERSÁRIO DE SANTOS: MEMÓRIAS DA MANHATTAN BRASILEIRA

Preclaros leitores,

No último dia 26 de janeiro, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, completou 465 anos de existência. Embora eu esteja falando da Capital Paulista, onde se encontram os escritórios de nossa organização, tenho um apreço muito grande pela cidade, uma vez que, numa manhã de sexta-feira, do mês de maio, no extinto Hospital dos Estivadores, lá nascia eu.

Eu e ela tivemos um relacionamento de pouco mais de 22 anos, quando então radiquei-me na Capital, sem data definida de retorno.

Nesta semana que se finda hoje, em homenagem à minha terra natal, passei algum tempo a pensar nas coisas maravilhosas que lá vivi.

Lembrei-me da bem vivida infância na praia do Boqueirão, em frente ao posto 5, onde desemboca a Rua Oswaldo Cruz, quando meus pais, eu e meus dois irmãos construíamos nossos sonhos com pás de brinquedo, água do mar e muita areia.

Estudávamos, os três, na Escola Estadual de Primeiro Grau Dr. Ruy Ribeiro Couto, na Rua Voluntários Santistas, onde me recordo sempre das professoras Lucila, Wilma, Rosely, Lourdes, Regina, Maristela e Antonia, que formaram muitos dos meus sustentáculos intelectuais.

De férias, sempre passava com meus avós paternos na Avenida Epitácio Pessoa, atrás da Igreja do Embaré, quando eu e meu finado avô Gilberto fazíamos longas caminhadas até o Orquidário de Santos, no José Menino. Minha avó Carminha ficava em casa preparando o almoço e algumas gulosemas para a tarde. Saudosíssimas recordações!

Com meus amigos de meninice, jogávamos taco na Rua Don Lara, andávamos de bicicleta no Super Centro Comercial do Boqueirão, que é o primeiro shopping da América Latina. Não podemos deixar de apontar a nossa sempre sagrada pelada, que não era só aos finais de semana: às quartas-feiras também jogávamos. No final do jogo sempre íamos tomar uma "Baré" no extinto Bar América, geladassa, servida pelo Cacau.

Não contentes com a praia, ainda tínhamos uma quadra particular, porque um amigo nosso era dono de uma escola na Rua Lobo Viana, que tinha uma quadra privativa para nós aos finais de semana e nas férias.

Nas tradicionais caminhadas na praia não podia faltar o tradicional chá mate do seu Paraná. Ele era um senhorzinho de não sei quantos mil anos que corria em maratonas e, quando não estava correndo, vendia mate gelado para a praia do Canal 3 todinha - mas sem chorinho! Quem é de Santos sabe disso!

Nunca me destaquei muito nos esportes, mas lembro que adorava jogar basquete no parque do Rebouças na Ponta da Praia.

Nunca fui muito de balada, mas, já maiorzinho, costumava frequentar as matineés da Zoom e da Lofty aos domingos.

Com o aparecimento da vida noturna, tínhamos várias opções: a Planet Z e o Moby Dick, na Avenida Vicente de Carvalho, e  a Reggae Night, no Morro da Nova Cintra, além de outros pontos de encontro maravilhosos da cidade como os clubes da orla da praia, especificamente no carnaval.

Por falar nos clubes, lamentavelmente o Regatas Santista, o Saldanha, o Vasco da Gama, o Clube XV, o Caiçara e o Atlético Santista foram recentemente extintos, tendo sobrado somente o Internacional de Regatas, o Sírio-Libanês e o imponente Santos Futebol Clube.

E por falar em Santos Futebol Clube, nasci com defeito de fabricação: não sou santista! Mas já fui a mais jogos do alvinegro, do que do meu glorioso São Paulo FC. Aliás, nos dois jogos que fui do SPFC um deles foi contra o Santos, a diferença é que foi no Morumbi...terrível!

Na cidade também fiz meu primeiro curso universitário: Direito, na Universidade Santa Cecília, 1ª Turma.

Foi nos bancos desta universidade que conheci meu grande amigo e irmão Marcel Stivaletti. Posso dizer que não existe outro santista como ele. Nem eu sou tanto! Esse é de corpo e alma. Esse é bravo guerreiro soldado da armada santista. Esse daria o sangue pela sua patriazinha. Para falar mal de Santos, e por que não "do Santos", com ele é um grande embaraço. O interlocutor tem que ter bastante embasamento, senão enfrenta chumbo grosso, sem perder a elegância, é claro! Assim, não podia falar de Santos, sem falar daquele que detém a chave moral desta magnifica cidade. Parabéns a você também Marcel!

Além da desnecessária referência à importância histórica da cidade, hoje Santos vem despontando no cenário nacional, pela maior importância do porto para a economia do país, além do estreitamento de sua distância com a Capital por meio da Rodovia dos Imigrantes, que vem injetando muitos recursos na economia local, ao ponto de ser considerada pela Revista Veja como a Manhattan Brasileira.

Quantas e quantas lembranças tenho da minha terrinha querida! Quanto orgulho tenho eu de ter nascido nos seus domínios. Ela ainda preserva a placidez de uma cidadezinha caiçara, mas tem a bagagem e a pujança de uma verdadeira Capital.

Parabéns Santos! A ti devo a base de tudo quanto sou!

Rodrigo Barros

sábado, 22 de janeiro de 2011

VIDEOGALERIA: UM ATO DE LIBERDADE - A História dos Irmãos Bielsky

Jornalista Jaime Spitzcovsky
publicado na Revista Judaica Morashá

Quando se pensa em esforços para salvar judeus da barbárie nazista ou em resistência armada à máquina mortífera de Adolf Hitler, momentos de heroísmo como a lista de Oskar Schindler ou o levante do Gueto de Varsóvia costumam ocupar lugar de destaque. Mas existe um capítulo da II Guerra Mundial menos conhecido, responsável por salvar mais de 1,2 mil judeus, entre homens, mulheres e crianças. Além de ter sido uma iniciativa que impôs pesados ataques contra os nazistas e seus colaboradores. Um grupo de partisans liderados pelos irmãos Bielski se escondeu durante anos nas florestas da Bielorrússia e, em meio aos horrores da guerra, montou uma vila organizada como uma comunidade judaica, com sinagoga, escola, teatro e enfermaria.

Os "judeus da floresta" protagonizaram uma das mais impressionantes histórias da resistência. Em junho de 1941, os nazistas invadiram a União Soviética, na "Operação Barbarossa". Poucos meses depois, a perseguição aos judeus se intensificava com a instalação de guetos nas regiões ocupadas, como ocorreu na localidade de Novogrudek. Lá, em dezembro daquele ano, foram mortos os pais e outros parentes dos irmãos Tuvia, Asael e Zus Bielski. Após a matança, eles decidiram fugir para a floresta, a fim de organizar um grupo armado e acabaram liderando um dos mais impressionantes episódios do movimento partisan, a guerrilha antinazista que atuou principalmente na Europa oriental. Décadas após o final da guerra, o escritor norte-americano Peter Duffy navegava pela Internet quando notou uma referência a "judeus da floresta". A expressão capturou sua curiosidade e ele mergulhou numa pesquisa que resultou no livro "The Bielski Brothers: The True Story of Three Men who Defied the Nazis, Saved 1,200 Jews and Built a Village in the Forest" (Os Irmãos Bielski: A História Real de Três Homens que Desafiaram os Nazistas, Salvaram 1,2 mil Judeus e Construíram uma Aldeia na Floresta). Lançado em 2003 e, no ano seguinte, editado no Brasil pela Companhia das Letras, a obra busca resgatar uma história ainda pouco conhecida, se levada em conta a sua relevância.

Duffy recorreu a entrevistas com sobreviventes da guerra, com "judeus da floresta" e descendentes dos irmãos que lideraram a aldeia que fortificou a resistência em terras bielorrussas. Recortes de jornais, documentos e cartas da época também ajudaram-no a montar o mosaico. Em outra iniciativa para documentar a saga da resistência, a socióloga sobrevivente do Holocausto, Nechama Tec publicou o livro "Defiance: The Bielski Partisans" (Desafio: Os Partisans Bielski). Os dois trabalhos naturalmente dedicam atenção especial a Tuvia Bielski que, com mão-de-ferro, comandava a comunidade. Veterano do exército polonês, onde serviu em 1928, ele aplicou as táticas aprendidas em seu serviço militar na luta contra os nazistas e seus colaboradores. A personalidade forte ajudou a construir a liderança entre seus subordinados. Sua cabeça esteve a prêmio, com uma oferta das forças de ocupação de milhares de reichmarks pela captura.

Quando fugiram para a floresta da região de Naliboki, os três irmãos foram acompanhados por 13 pessoas que escaparam do gueto de Novogrudek. Passaram então, pessoalmente ou com a ajuda de emissários, a circular uma mensagem entre judeus escondidos ou presos pelos nazistas: salvem-se, juntando-se a nós na floresta. Rapidamente, a comunidade reunia mais de 100 integrantes. Uma aldeia surgia em meio às árvores. A vida comunitária florescia com a sinagoga, o teatro. Enfermaria, escola, sapataria, barbearia, padaria foram improvisadas para permitir a sobrevivência. Uma disciplina férrea organizava o dia-a-dia, e os partisans se dividiam nos ataques aos nazistas e a seus colaboradores e também na permanente sentinela. Várias vezes os "judeus da floresta" foram alvos de ofensivas inimigas e tiveram de se deslocar, buscando locais mais protegidos da ameaça da ocupação.

Os comandados de Tuvia Bielski estabeleceram contatos e colaboração com os partisans soviéticos. Ataques e ações de sabotagem contra os nazistas e seus colaboradores deixaram marcas profundas naquela região da Bielorrússia.

O trabalho de Peter Duffy descreve em detalhes o sofrimento imposto pela barbárie nazista e narra os momentos de extrema violência produzidos pela realidade da guerra. O livro também é rico em descrições sobre o cotidiano dos "judeus da floresta", sobre seus esforços pela sobrevivência e para manter intacta sua identidade cultural e religiosa, em meio a um ambiente de massacres e de sangrentos conflitos entre os grupos, militares e civis, envolvidos no drama da Segunda Guerra Mundial. Os partisans soviéticos tentaram em diversas ocasiões absorver a unidade chefiada pelos irmãos Bielski. No entanto, essas tentativas foram rechaçadas, embora ao mesmo tempo se buscasse manter boas relações com as forças de resistência apoiadas pelo Kremlin. O comandante Tuvia acreditava que sua missão não consistia apenas numa operação militar, mas também num esforço para salvar judeus não-combatentes.

Em 1943, os nazistas protagonizaram uma violenta ofensiva contra os partisans na região da floresta de Naliboki. O comandante soviético exortou Tuvia a dividir sua comunidade entre guerrilheiros e civis, para que os não-combatentes "não fossem um fardo". O líder judeu sabia que essa opção implicaria abandonar uma parte do grupo e, por conta disso, se recusou a seguir a ordem. Preferiu mudar a aldeia de lugar, levando-a para uma posição mais protegida em meio à floresta bielorrussa. A situação começou a melhorar em 1944, devido à contra-ofensiva soviética que levaria ao triunfo contra os nazistas, no ano seguinte, em Berlim. O Exército Vermelho, em sua marcha rumo à Alemanha, conseguiu liberar áreas da Bielorrússia, o que permitiu aos "judeus da floresta" emergirem de seu esconderijo. Sob o comando dos irmãos Bielski, 1.230 homens, mulheres e crianças, que se espalhavam por uma fila com cerca de um quilômetro de extensão, caminharam de volta às ruínas da pequena cidade de Novogrudek. Asael Bielski morreu durante a batalha de Königsberg, em 1944, servindo no Exército Vermelho. Tuvia e Zus trabalharam para autoridades soviéticas por um breve período e, em 1945, emigraram, com suas famílias, para Israel. Lutaram na Guerra da Independência, em 1948, e, em meados dos anos 1950, decidiram mudar para os Estados Unidos. O motivo: Tuvia viajou em busca de outras formas de assistência médica para uma úlcera no estômago, que provocava uma rápida deterioração em sua saúde.

Os irmãos e seus familiares se instalaram no bairro do Brooklyn, em Nova York. Tuvia trabalhou, por exemplo, como motorista de caminhão, e Zus teve uma companhia de táxi. Em 1987, o personagem principal da história dos "judeus da floresta", Tuvia, morreu, aos 81 anos de idade. Em 1988, seu corpo foi levado a Israel, para ser enterrado, com direito a honras militares, num cemitério na região de Jerusalém. Zus faleceu em 1995, em solo americano, assim como o irmão mais velho. Nos anos seguintes, a saga dos "judeus da floresta" passou a ser resgatada por iniciativas como a de Peter Duffy. Planos também surgiram para levar esse episódio da luta contra o hitlerismo à televisão, como um documentário do History Channel, e às telas do cinema. O diretor australiano Phillip Noyce planejava lançar o filme "The Bielski Brothers", com roteiro de Kathleen McLaughlin, ainda em 2006, segundo o site TheMovieInsider. Os partisans judeus protagonizaram também histórias de heroísmo, perseverança e de combate à barbárie nazista em países como França, Bélgica, além de Ucrânia, Polônia e Lituânia. Unidades de resistência surgiram em mais de cem guetos. Estima-se que entre 20 mil e 30 mil judeus atuaram como guerrilheiros na II Guerra Mundial, em unidades exclusivamente judaicas ou em movimentos mais amplos da resistência ao nazismo. E, nesse cenário, a trajetória dos "judeus da floresta" e dos irmãos Bielski ocupa um lugar de especial destaque.

FICHA TÉCNICA DO FILME:

Um Ato de Liberdade

Defiance
USA, 2008, 137 min
Action / Catálogo - Flashstar
» Elenco/Actors
Daniel Craig, Liev Schreiber

Sinopse:

Baseado em uma extraordinária história real, Um Ato de Liberdade é um épico sobre família, honra, vingança e salvação. Durante a II Guerra Mundial. O ano é de 1941 e os judeus do leste europeu estão sendo massacrados aos milhares. Para escapar da morte certa, três irmãos se refugiam numa floresta que conhecem bem desde infância. Ali começa sua desesperada luta contra os nazistas. Daniel Craig, Liev Schreibel e Jamie Bell são irmãos que transformam instintos primitivos de sobrevivência em algo muito mais extraordinário - uma maneira de vingar a morte de seus entes queridos enquanto salvam centenas de pessoas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CASAR-SE NOVAMENTE... MAS COM A MESMA MULHER!

por Arnaldo Jabor

Meus Amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher.

As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.

Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.

Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário.

Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade.

Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.

Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu.

O segredo do casamento não é a harmonia eterna.

Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo.

Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.

De tempos em tempos, é preciso renovar a relação.

De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido.

Há quanto tempo vocês não saem para dançar?

Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial?

Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?

Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento.

Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?

Faça de conta que você está de caso novo.

Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem.

Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.

Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.

Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.

Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação.

Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.

Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso.

Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar.

Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.

Mas se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.

Não existe essa tal 'estabilidade do casamento' nem ela deveria ser almejada.

O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.

A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma 'relação estável', mas saber mudar junto.

Todo cônjuge precisa evoluir estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento.

Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?

É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par.

Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças.

Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.